Corpos Outros

Porque somos todos pedaços alheios.

Arquivos Mensais: julho 2010

Busca

 

E aí fico o dia todo caçando alguma coisa que me faça lembrar que o dia valeu a pena e que posso ir pra casa um pouco mas ampla, com as janelas mais abertas e os erros perdoados para voltar a cometer.”

 

Catarina Bogéa

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Ovelhas

 

Nada é mais repugnante do que a maioria, pois ela compõe-se de uns poucos antecessores enérgicos; velhacos que se acomodam; de fracos, que se assimilam, e da massa que vai atrás de rastros, sem nem de longe saber o que quer.”

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Johann Goethe

Não sei, não entendo dessas coisas

 

Minha lâmpada de cabeceira está estragada. Não sei o que é, não entendo dessas coisas. Ela acende e, sem a gente esperar, apaga. Depois acende de novo, para em seguida tornar a apagar. Me sinto igual a ela: também só acendo de vez em quando, sem ninguém esperar, sem motivo aparente. Para a lâmpada pode-se chamar um eletricista. Ele dará um jeito, mexerá nos fios e em breve ela voltará a ser normal, previsível. Mas e eu? Quem desvendará meu interior para consertar meus defeitos?

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Caio Fernando Abreu

Sair da minha laia, chegar na sua

 

 Eu vou à cidade hoje à tarde, tomar um chá de realidade e aventura porque eu quero ir pra rua.

Eu quero ir pra rua. Tomar a rua.

Eu vou à cidade sem compromisso, tomar um chá.

Um chá de sumiço no olho da rua.

Porque eu quero ir pra rua. Eu só quero ir pra rua.”

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Paula Toller

Por não ter nada a dizer

 

Falam de tudo. Da moral, do comportamento, dos sentimentos, das reações, dos medos, das imperfeições, dos erros, das criancices, ranzinzisses, chatices, mesmices, grandezas, feitos, espantos. Sobretudo falam do comportamento e falam porque supõem saber. Mas não sabem, porque jamais foram capazes de sentir como o outro sente. Se sentissem não falariam.”

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Nelson Rodrigues

Lembre com a mesma beleza do instante

Eu não procurei, não insisti. Contive tudo dentro de mim até que houvesse um movimento qualquer de aceitação. Quando houve, cedi. A sua cabeça pesava no meu braço. Aquele contato era premeditado ou ocasional? As indagações pesavam sem resposta, e numa lucidez desesperada eu num repente assimilava todos os detalhes, dissecava o que acontecia em torno como se tivesse mil olhos, envelhecia como a noite lá fora, virando madrugada, a luz fraca. Eu tudo compreendia, tudo sabia, menos aquela cabeça pesando no meu braço. Fechei os olhos e afundei os dedos nos seus cabelos. Não queria, desde o começo eu não quis. Desde que senti que ia cair e me quebrar inteiro na queda para depois restar incompleto, destruído talvez, as mãos desertas, o corpo lasso. Fugi. Eu não buscaria porque conhecia a queda, porque já caíra muitas vezes, e em cada vez restara mais morto, mais indefinido e seria preciso reestruturar verdades, seria preciso ir construindo tudo aos poucos, eu temia que meus instrumentos se revelassem precários, e que nada eu pudesse fazer além de ceder. Fugi. Mas no meio da fuga, você aconteceu. Foi você, não eu, quem buscou. Mas o dilaceramento foi só meu, como só meu foi o desespero. Sei que foi mais fundo, mais dentro, que nessa ignorada dimensão rompeu alguma coisa que estava em marcha. Eu quis tanto ser a tua paz, quis tanto que você fosse o meu encontro. Quis precisar, sem exigências. E sem solicitações, aceitar o que me era dado. Sem ir além, compreende? Não queria pedir mais do que você tinha, assim como eu não daria mais do que dispunha, por limitação humana. Mas o que tinha, era seu.”

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Caio Fernando Abreu in Inventário do ir-remediável

Transformar o tédio em melodia

 

Herói morre doido, não fica careca nem vira burocrata.”

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Cazuza

Leitura sutil do silêncio, e dos olhos, aqueles.

 

Não diz nada, você não diz nada. Apenas olha para mim, sorri. Fizemos, ao mesmo tempo e em silêncio, um pedido, dois pedidos. Pedi para saber tocá-lo. Você não me conta seus desejos, apenas sorri com os olhos.”

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Caio Fernando Abreu

Sendo só fissura, ou loucura, ninguém sabe o que procura.

 

Saia do sério, deixe os critérios, siga todos os sentidos.
Em caso de tristeza, vire a mesa, coma só a sobremesa
coma somente a cereja.”

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Alice Ruiz

Fluescência

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