Corpos Outros

Porque somos todos pedaços alheios.

Arquivos Mensais: novembro 2010

O que não está nos livros III

Na trilha dos mistérios de Clarice

No último dia 25 de junho o Caderno 2 publicou uma carta de Clarice Lispector que chegara misteriosamente às minhas mãos (a amiga de uma amiga encontrara entre velhos guardados), aparentemente inédita. Na maior boa fé – porque a carta era linda e, por sua sabedoria, poderia fazer bem a muita gente – encaminhei-a para o jornal.

 

Não era bem assim. Do Rio, o poeta Afonso Romano de Sant’Anna telefonou informando que a carta fora escrita por Clarice à sua irmã Tânia. Affonso tem uma cópia guardada. Mais tarde, a mesma carta (ou trechos dela) foi incluída em Esboço Para Um Possível Retrato, uma espécie de pequena biografia poética escrita por Olga Borelli, grande amiga da escritora nos seus últimos anos de vida. Procurei o livro em várias livrarias para confirmar – está completamente esgotado.

 

Mas entre telefonemas e informações desencontradas, fui recolhendo algumas informações. Uma ótima: a Editora Ática deve publicar logo uma biografia escrita pela professora Nádia Gotlib, depois de vários anos de pesquisa. Outra nem tanto: segundo Afonso Romano, Tânia, uma das irmãs de Clarice – a outra, Elisa, é também escritora, autora do romance O Muro das Pedras, entre outros – guarda até hoje grande parte da correspondência, mas não quer cedê-la para publicação de jeito nenhum.

 

A verdade é que Clarice, que viveu muitos anos no exterior, acompanhando o marido diplomata, era uma grande missivista. Lygia Fagundes Telles me informa que havia muitas cartas dela para Erico Verissimo, outro também chegado num bom correios & telégrafos, naqueles tempos sem fax. E há uma história famosa sobre Lucio Cardoso, por quem Clarice teve uma grande paixão. Dois ou três dias depois de receber os originais de um romance escrito por ela na Suiça, Lucio recebeu um telegrama (cito de memória) dizendo algo como: “Favor não considerar vírgula na linha X da página V PT Abraços Clarice”.

 

A verdade também é que Clarice era deliberadamente misteriosa. Apagava rastros, diluía pistas. Ninguém sabe ao certo o ano de seu nascimento, na Ucrânia. Ela sempre disfarçava, mudava de assunto, confundia. Era ainda uma grande recicladora dos próprios textos. Nos anos 60 e 70, quando foi cronista do Jornal do Brasil, volta e meia republicava trechos de algum conto ou romance como crônica, com outro título. Alguns dos capítulos de Uma Aprendizagem ou O Livro dos Prazeres foram publicados primeiro na coluna do JB e, mais tarde, também em A Descoberta do Mundo, a coletânea completa de seus escritos disperso (inclusive, imaginem, entrevistas que ela fez para a revista Manchete). Há quem diga até que ela enviava a mesma carta para várias pessoas….

 

Quem conheceu Clarice sabe: ela não era mesmo muito deste mundo. Até hoje lembro de um encontro que tivemos em Porto Alegre, em 1975. Ela – que quase não falava, fumava muito e suportava pouco as pessoas – me convidou para um café na Rua da Praia. Fomos. Silêncio denso, lispectoriano. No balcão do bar, por trás da fumaça do cigarro e com aquele sotaque estranhíssimo, de repente ela perguntou: “Como é mesmo o nome desta cidade?” E estava em Porto Alegre há três dias…

 

Na obra, na vida, foram muitas as lendas e mistérios deixados por Clarice Lispector. Hoje, seus livros são cultuadíssimos na Europa. Seu tradutor inglês, Giovanni Pontiero, da Universidade de Manchester, certa vez me disse que tinha certeza que, se ela não vivesse no Brasil, teria ganho o Nobel. Sofreu demais aqui. Lembro até hoje da crítica decretando seu fim quando saiu A Hora da Estrela. Fim? Bem, passaram-se 17 anos desde a sua morte, e continuamos a falar nela. E, sinceramente, se fico um tanto encabulado com a história confusa da carta, fico contente por poder trazê-la um pouco de volta.

 

Caio Fernando Abreu – O Estado de São Paulo, 07 de agosto de 1994

Anúncios

O que não está nos livros II

 

 “Umbigo do Brasil, cravado no

Centro da barriga da miséria,

Vamo comer, vamo comer poesia”

 

 

“Animal arisco” – eu caminhava pela rua quando ouvi o grito. No meio do barulho, do torpor desse calor viscoso que andou fazendo. Claro, agudo, relâmpago no meio da tarde, aquele gemido. Parei, sem entender. O grito foi sendo levado para longe – “me senti sozinho/ tropeçando em meu caminho/ à procura de ajuda, um lugar, um amigo” – enquanto eu compreendia. Era Caetano Veloso cantando Fera Ferida, de Roberto e Erasmo Carlos, provavelmente num rádio de carro que se afastava.

 

O gemido rasgou a tarde em duas. Fiquei ali parado no meio da dor, assim (deus, quem disse isso uma vez?) “ferido de mortal beleza”. Provavelmente com aquela “expressão amarga” – como diz o Osmar Freitas Jr. – “de quem tivesse acabado de chupar (?) uma crônica de Caio Fernando de Abreu”. Olhei em volta: ninguém mais tinha ouvido. Estavam todos com uma expressão de… – bom, deixa pra lá. Não consigo entender essa pressa em rotular, carimbar, colocar em prateleira: é assim, doce, amargo, leve, pesado. Idéias feitas, congeladas, mortas. Safári no cemitério, preconceito. Fiquei ali parado, o grito vivo de Caetano na cabeça.

 

Então pensei: Caetano não dá mais entrevista. Tá certo. Não há nada a dizer, não há nada para explicar. Ou você entende, através da música e até do silêncio, e estamos conversados e enriquecidos. Ou você não entende nada, porque seu repertório é outro. Então, numa gestalt, também estamos conversados. Ninguém enche o saco de ninguém, você me deixa em paz, eu te deixo em paz – certo? Fica combinado assim: se não te atrapalho, você me dá licença de ser assim do jeito que sou?

 

Fui pra casa ouvir mais Caetano. Deitei, aquele calor paulistano, de cimento. Peguei o release de Maria Clara Jorge – ela diz “Caetano é o umbigo do Brasil”. Sim, em vários sentidos. Aí li o que diz Renato Costa, coordenador do departamento internacional da Polygram: “Há anos Caetano dá todos os toques sem cobrar nada e o Brasil não saca. Azar do Brasil”. Azarésimo. E azar o seu, se não ouvir.

 

Pega o disco, tá tudo lá. O Brasil negro, já na foto (linda de Flávio Colker (sobre concepção de Luiz Zerbini) na capa, no candomblé que passeia seus axés por Depois Que o Ilê Passar e Ia Omim Bum, ou em Eu Sou Neguinha? Tá lá o discurso político em Vamo Comer: “Quem vai equacionar as pressões/ do PT, da UDR/ e fazer dessa vergonha uma nação?” Tem o cinema falado de Giulietta Massina – “ah, minha vida sozinha/ ah, tela de uma outra luz” -, tem a solidão das estradas em Noite de Hotel: “Estou a zero, sempre o grande otário”. E aquela que deve ser uma das mais belas letras (e músicas) feitas nos últimos anos neste país, O Ciúme. Numa tarde cheia de luz, no rio São Francisco, sobre toda a paisagem “paira, monstruosa, a sombra do ciúme”. O humano torturado projeta sua imagem interior sobre a paisagem indiferente, alheia à dor individual. Mas de dentro dessa tortura, que nada alivia e ninguém pode perceber, é que o ser olha e suspeita: “Tudo é perda, tudo quer buscar – cadê?”

 

Porque tem luz e sombra. Uma engendra a outra, uma nasce de dentro da outra. Tem amor e ódio, tem encontro e perda, tem identificação e indiferença. Tem dias em que tudo se encaixa, como no momento das peças finais dos quebra-cabeças, e tem aqueles em que tudo se desencaixa numa aflição tonta de não haver sentido nem paz, amor, futuro ou coisa alguma. Tem dias que nenhum beijo mata a fome enorme de outra coisa que seria mais (e sempre menos) que um beijo. Mas tem aqueles outros, quando um vento súbito e simples entrando pela janela aberta do carro para bater nos teus cabelos parece melhor que o mais demorado e sincero dos beijos. Precisamos dos beijos, precisamos dos ventos. Tem dias de abençoar, dias de amaldiçoar. E cada um é tantos dentro do um só que vê e adjetiva o de fora que escapa, tão completamente só no seu jeito intransferível de ver: “E eu sou só eu só eu só eu”.

 

A voz e a poesia de Caetano passeiam nesse limiar – Limiar é tão bonito, parece limite, parece ar, um limite no ar? – entre os opostos. Umbigo do Brasil, como diz Maria Clara. Cravado no centro, origem, raiz, verdade. Vamo comer, vamo comer Caetano: bom apetite.

 

Caio Fernando Abreu – O Estado de São Paulo, caderno 2, 1987

O que não está nos livros I

 

Pedra que muito rola não cria musgo” – dizia minha avó quando falava de um sobrinho, Francisco. Ninguém nunca sabia direito onde ele andava: podia ser Porto Alegre, Rio, São Paulo, Paris ou Alexandria. Não é jeito de dizer, não. Ele passou mesmo vários anos no Egito. O Francisco era um exemplo perfeito do que um bom rapaz não deve nunca fazer: andar por aí assim, mudando de cidade, de trabalho, de vida, com tanta facilidade como quem muda de camisa. Pedra que se preza, para minha avó, devia ficar parada e quietinha no seu lugar, criando embaixo aquela camada grossa de musgo verdinho.

 

Bom, uns anos depois, já na estrada, conheci o Francisco e achei ele ótimo. Tinha visto uma porção de lugares, conhecido um monte de gente, vivido e sentido coisas que a maioria das pessoas só imagina e não tem coragem de viver. Fiquei encantado: ele era uma pessoa larga. Largueza, para mim, é qualidade muito importante nas pessoas. Foi então que entendi melhor porque sempre tinha achado musgo uma coisa muito chata.

 

As pessoas vivem me perguntando: “Mas, afinal, onde é mesmo que você está morando?” Nem sempre sei responder. Pode ser aqui, ali, ou um pouco aqui, outro ali. Outro dia alguém se queixou que só de endereços meus tinha umas duas páginas ocupadas (e riscadas) na cadernetinha. Até pouco tempo atrás, confesso, eu mesmo ficava angustiado com essa inquietação toda. Agora estou mais acostumado. Tem coisas da gente que não são defeito nem erro: são só jeito da gente ser. O negócio é acostumar com isso e não sofrer. Aliás, o melhor jeito, em relação a qualquer coisa, é sofrer o mínimo possível. Aquilo que os americanos chamam de relax and enjoy – mais ou menos “relaxe e curta”.

 

Não sei dizer mais quantas vezes mudei de casa e de cidade. Fui, por exemplo, de Santiago, no interior do Rio Grande do Sul, para Porto Alegre, de lá para São Paulo, depois Campinas, Rio de Janeiro, um tempinho em Florianópolis, na Bahia, em Paris, em Londres, Estocolmo, mais um pouquinho no Rio, e por aí vai. Só em São Paulo já morei quatro vezes, de ir embora jurando nunca mais voltar, e voltando sempre. Só em Sampa, já passei pelo Jardim América, pela Bela Vista, Vila Madalena, Jardim Paulistano, Pinheiros, Sumaré, Centro da cidade – agora estou num lugar entre o Ibirapuera e Vila Nova Conceição, que ainda não consegui descobrir o nome. Sei que tem uma feira bem na minha rua, às terças-feiras.. Estou achando um grande barato ter, pela primeira vez na vida, uma feira aqui na porta de casa. Mas não sei até quando vou achar isso.

 

Minto. Sei, sim. Não é de repente, é mais aos pouquinhos que acontece. Difícil explicar, mas vai dando uma coisa de você não ver mais direito nem as coisas nem as pessoas que estão à sua volta. Você vai acostumando com elas, assim como acostuma com uma cadeira, uma mesa, um fogão. Quando tudo começa a ficar igual todos os dias e você, sem perceber, começa a se movimentar como quem liga o automático e, feito robô, apenas faz coisas, sem sentir o que está fazendo – bem, para mim é porque está na hora de dar o fora. Aí a gente muda. Se não dá para mudar de cidade, muda de casa, muda de rua, de bairro (cá entre nós: massa mesmo seria poder mudar de planeta). Não há nada mais estimulante do que ver ruas e pessoas pela primeira vez. Você tem que fazer um superexercício para conseguir descobrir os jeitos particulares delas se comunicarem – sim, porque tudo isso tem um jeitinho particular. Você é novo. A maioria das pessoas que conheço vive muito desatenta de estar vivendo: elas parecem tão acostumadas com as coisas que estão em volta que é como se estivessem dormindo.

 

Não digo que todo mundo deva fazer a mesma coisa, e que isso é o certo. Na minha cabeça, certo é tudo aquilo que dá prazer da gente fazer, desde – claro – que não prejudique ninguém. Depois, também acho que para acordar dessa espécie de sono limoso tem muito jeitos. Pode ser ler um livro ou ver um filme provocante, de vez em quando. Num fim de semana, ir a um bar ou a um bairro onde a gente nunca foi antes. Ou bater um bom papo, daqueles verdadeiros, com uma pessoa nova. O que não pode é começar a achar tudo igual, porque aí a criatura vai engordando por dentro e criando aquele tipo de barriga que eu chamo de “barriga mental”. Umas gordurinhas no cérebro que deixam o pensamento lerdo e tiram o prazer de qualquer coisa.

 

Claro que viver assim, pulando de galho em galho, também tem suas desvantagens. O que se perde de correspondência, por exemplo, é um absurdo. E tem gente maravilhosa que, de repente, vai ficando longe, difícil de ver – e aí dança. Mas também acho que aquilo que é bom, e de verdade, e forte, e importante – coisa ou pessoa – na sua vida, isso não se perde. E aí lembro de Guimarães Rosa, quando dizia que “o que tem de ser tem muita força”. A gente não tem é que se assustar com as distâncias e os afastamentos que pintam.  Mas, vantagens? Ah, isso também tem. A melhor delas é conhecer gente. Não tem coisa melhor (nem pior) do que gente. E, na minha opinião, não é plantado no mesmo lugar, caminhando sempre pelas mesmas ruas, repetindo ano após ano os mesmos programas, que você vai conhecer pessoas novas.

 

Se fico por aqui? Vou ficando. A feira na porta de casa me encanta, o dono do bar da esquina já começou a me cumprimentar. Ontem mesmo comecei um trabalho novo, e a casa recente está pegando o jeito que gosto. Mas quando vejo no mapa uma ilha chamada Java, com o porto de Surabaya, nas bandas da Ásia – que dá uma vontade de ir pra lá, ah, isso dá. Questão de paciência. Pelo menos até o dia que eu acordar de manhã e perceber aquela camadinha de verde musguento avançando. Porque, no que depender de mim, e para desgosto de minha avó, enquanto tiver saúde vou rolando até encontrar qualquer coisa (ou pessoa) tão fantástica que me dê vontade de ficar ali para sempre. Cá entre nós, se for só a morte, também não me importo nem um pouco.”

 

Caio Fernando Abreu – Texto publicado na revista Capricho em 1987

Solidão contraditória

 

“Seja como for, continuo gostando muito de você da mesma forma, você está quase sempre perto de mim, quase sempre presente em memórias, lembranças, estórias que conto às vezes…”

 

Caio Fernando Abreu

Drinking life

 

“Preciso me embriagar um pouco com urgências de vida porque se considerar a cada minuto a possibilidade da morte — então paro imediatamente de viver. Fico de olhos arregalados, imóvel, à espera do poço previsto.”

 

Caio Fernando Abreu

Ensaio

 

“Se depender de mim, nunca ficarei plenamente maduro nem nas idéias, nem no estilo, mas sempre verde, incompleto, experimental.”

 

Gilberto Freyre

Pra iluminar suas mini-certezas

 

 

“A verdadeira viagem da descoberta não consiste em procurar novas paisagens, mas em ter novos olhos.”

 

Marcel Proust

Confissão

 

“O meu amor por você é inédito. Novo e maduro – como pode? Penso, sinto e quero você. Hoje, amanhã e na medida sem fim do tempo. Quando estou em silêncio e lembro que você existe eu sinto paz. Suspiro aliviada.”

 

Cris Guerra

Sentimento do Mundo

 

“As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios provam apenas que a vida prossegue e nem todos se libertaram ainda.”

 

Carlos Drummond de Andrade

Não pense que vai dar errado. O que pode dar errado já aconteceu antes.

 

“Danço sob uma chuva quente de primavera e não tenho relógio no pulso, para não sentir o tempo passar por mim. Vem você também, deixe o ritmo dessas gotas molhadas tocar seu corpo. Esqueça esse roteiro que te promete uma vida sem defeitos. Olhe no brilho profundo dos meus olhos e tente ver minha felicidade. Tente sentir comigo esse momento bom. Dê-me sua mão, ainda temos tempo. Está fora de moda resistir a tanto, escute a minha voz e deixe-me ensinar você a dançar e esquecer o mundo. Foge comigo agora.”

 

graf-fite.blogspot 

Título: Carpinejar

Ver beleza exige desembaçar a vista

 

“Senhores, a única forma de alcançar o impossível é pensar que é possível.”

 

Alice in Wonderland

Vou me espalhar por aí

 

“Um marinheiro me contou
Que a brisa lhe soprou
Que vem aí bom tempo.

Um pescador me confirmou
Que um passarinho lhe cantou
Vem aí bom tempo.”

 

Chico Buarque

Espero, apesar de.

 

“uma das coisas que aprendi é que se deve viver apesar de. Apesar de, se deve comer. Apesar de, se deve amar. Apesar de, se deve morrer. Inclusive muitas vezes é o próprio apesar de que nos empurra para a frente. Foi o apesar de que me deu uma angústia que insatisfeita foi a criadora de minha própria vida. Foi apesar de que parei na rua e fiquei olhando para você enquanto você esperava um táxi. E desde logo desejando você. Mas quero inteira, com a alma também. Por isso, não faz mal que você não venha, esperarei quanto tempo for preciso.”

 

Clarice Lispector

Cômodo assim

 

“Esse espaço branco entre dois encontros pode esmagar completamente uma pessoa. Por isso eu acho que a gente se engana, às vezes. Aparece uma pessoa qualquer e então tu vai e inventa uma coisa que na realidade não é. E tu vai vivendo aquilo porque não aguenta o fato de estar sozinho.”

 

Caio Fernando Abreu

Pra onde?

 

Devia ser sábado, passava da meia-noite.
Ele sorriu para mim. E perguntou:
– Você vai para a Liberdade?
– Não, eu vou para o Paraíso.
Ele sentou-se ao meu lado. E disse:
– Então eu vou com você.”

.

Caio Fernando Abreu

Um passeio pela pele

 

“Se tudo passa como se explica
o amor que fica nessa parada?”

 

Zeca Baleiro

Não acaba

 

“O que quero dizer é justamente o que estou dizendo. Não estou com pena de mim. Tá tudo bem. Tenho tomado banho, cortado as unhas, escovado os dentes, bebido leite. Meu coração continua batendo – taquicárdico, como sempre. Tá limpo. Sem ironias. Sem engano. Amanhã, depois, acontece de novo, não fecho nada, não fechamos nada, continuamos vivos e atrás da felicidade, a próxima vez vai ser ainda quem sabe mais celestial que desta, mais infernal também, pode ser, deixa pintar.”

 

Caio Fernando Abreu

Ponto comum

 

“Estou contando a vocês que estou fazendo elucubrações sobre o amor porque provavelmente, de uma outra forma vocês aí que me leem, talvez com tédio, também estão pensando a mesma coisa. O bicho homem não faz outra coisa a não ser pensar no amor. Até as relações de produção, a luta de classes, a ecologia, o jogo pelo poder: tudo, questão de amor. Formas de amor. Amor é palavra que inventamos para dar nome ao Sol abstrato em torno do qual giram nossos pequeninos egos ofuscados, entontecidos, ritmados. A vida toda. Mas se me perguntarem o que quero dizer com isso, não tenho resposta.”

 

Caio Fernando Abreu

Anda assim

 

“e eu sempre tivera certeza que, desde o início, embora tudo pudesse continuar a ser somente loucura, vontade de voar, eu nada tinha a perder.”

 

Caio Fernando Abreu

Um dia de Joplin, um dia de Tereza de Calcutá

 

“…sabia que tinha alguma coisa fora do lugar em mim. Eu era uma soma de todos os erros: bebia, era preguiçoso, não tinha um deus, idéias, ideais, nem me preocupava com política. Eu estava ancorado no nada, uma espécie de não-ser. E aceitava isso. Eu estava longe de ser uma pessoa interessante. Não queria ser uma pessoa interessante, dava muito trabalho. Eu queria mesmo um espaço sossegado e obscuro pra viver a minha solidão. Por outro lado, de porre, eu abria o berreiro, pirava, queria tudo e não conseguia nada. Um tipo de comportamento não se casava com o outro. Pouco me importava.”

 

Charles Bukowski

Título – Caio Fernando

Eram árvores de plástico com flores falsas

 

“Quando percebi, estava olhando para as pessoas como se soubesse alguma coisa delas que nem elas mesmas sabiam. E de repente já não era mais possível fingir nem fugir nem pedir perdão ou tentar voltar ao olhar anterior.”

 

Caio Fernando Abreu

Só você não viu

 

 

Save you

 

“Eu só te peço uma coisa: Pare de culpar a vida. Pare de ter pena de você. Se assuma. Se aceite. Se culpe. Se estrepe. Se mate. Mas se perdoe. Pelo amor de Deus, se perdoe. Somos todos culpados, se quisermos. Somos todos felizes, se deixarmos.”

 

Fernanda Mello

É certo pra quem?

 

“Sempre que houver alternativas, tenha cuidado.
Não opte pelo conveniente, pelo confortável, pelo respeitável,
pelo socialmente aceitável, pelo honroso.
Opte pelo que faz o seu coração vibrar.”

 

Osho

Quem é de mentira

 

 

“Amanheci em cólera. Não, não, o mundo não me agrada. A maioria das pessoas estão mortas e não sabem, ou estão vivas com charlatanismo. E o amor, em vez de dar, exige. E quem gosta de nós quer que sejamos alguma coisa de que eles precisam. Mentir dá remorso. E não mentir é um dom que o mundo não merece.”

 

Clarice Lispector

Por isso é ele

 

“Acho que sou uma figura um pouco atípica na literatura brasileira. Na minha obra aparecem coisas que não são consideradas material digno, literário. Deve ser insuportável para a universidade brasileira, para a crítica brasileira assumir e lidar com um escritor que confessa, por exemplo, que o trabalho do Cazuza e da Rita Lee influenciou muito mais do que Graciliano Ramos. Isso deve ser insuportável. Você compreende? Isso não é literário. E eu gosto de incorporar o chulo, o não-literário”.

 

Caio Fernando Abreu

Acho que aprendemos a fingir

 

“Minha cabeça estava confusa com tudo isso: a maneira boba como os adultos agiam entre eles, jamais dizendo o que realmente pensavam, dependendo de suspiros e olhadelas e maneiras reservadas para falar por eles. Era muito perigoso! Devia ser muito fácil interpretar erradamente um suspiro ou um olhar. Eu tinha certeza de que não ia saber fazer tudo direito quando crescesse. Felizmente ainda faltava muito tempo”

 

Melanie Benjamin

Preocupação indiferente

 

“Não escreva nada, não nos procuramos mais: um dia nos cruzamos por acaso, de repente, e então vemos o que aconteceu a nossos rancores e reagimos de acordo com isso. Mas se você quiser me contar das suas funduras, e não apenas defender-se — e os amigos são, sim, para trocar abismos — então me escreva.”

 

Caio Fernando Abreu

Fluescência

Porque somos todos pedaços alheios.

Fierce People

Porque somos todos pedaços alheios.

Pensar Longe

Porque somos todos pedaços alheios.

palavrasespalhadas

Just another WordPress.com site

Aqui dentro de mim

Porque somos todos pedaços alheios.

Lembranças Inconscientes

Porque somos todos pedaços alheios.