Corpos Outros

Porque somos todos pedaços alheios.

Arquivos Mensais: dezembro 2010

Os números de 2010

Os duendes das estatísticas do WordPress.com analisaram o desempenho deste blog em 2010 e apresentam-lhe aqui um resumo de alto nível da saúde do seu blog:

Healthy blog!

O Blog-Health-o-Meter™ indica: Mais fresco do que nunca.

Números apetitosos

Imagem de destaque

Um Boeing 747-400 transporta 416 passageiros. Este blog foi visitado cerca de 3,300 vezes em 2010. Ou seja, cerca de 8 747s cheios.

Em 2010, escreveu 182 novo artigo, aumentando o arquivo total do seu blog para 185 artigos. Fez upload de 353 imagens, ocupando um total de 34mb. Isso equivale a cerca de 7 imagens por semana.

The busiest day of the year was 17 de novembro with 215 views. The most popular post that day was Cheiro.

De onde vieram?

Os sites que mais tráfego lhe enviaram em 2010 foram pt-br.wordpress.com, orkut.com.br, thinkabout-life.blogspot.com, twitter.com e atravesdomeuolhar.blogspot.com

Alguns visitantes vieram dos motores de busca, sobretudo por corpos outrosecaio fernando abreu

Atracções em 2010

Estes são os artigos e páginas mais visitados em 2010.

1

Cheiro maio, 2010

2

Que corpos? dezembro, 2009
2 comentários

3

Ser só setembro, 2010

4

“Não quero, sei lá, que você entre numa errada comigo. Que você se machuque ou, como diziam minhas tias quando eu era guri, “tenha uma desilusão”.” agosto, 2010

5

O que não está nos livros I novembro, 2010

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Mas sempre fica alguma coisa.

Skank – Amores Imperfeitos

Milver

 

Quero fim de ano,  fim de tarde tranquilo, música boa, sem relógio, despertador ou qualquer coisa que me mostre o tempo passando. Quero sair de noite olhar pro céu e ver estrelas, ter tempo pra ver como a lua é bela, observar pessoas, rir, chorar, pensar, viver, cantar, sentir. Porque não morri. Porque é verão e eu quero ver, rever, transver, milver tudo que não vi.

 

Caio Fernando Abreu

Audere est facere

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Katherine Moennig

Isso também é vício

 

Não se acostume com o que não o faz feliz.

 

Fernando Pessoa

Sem talento pra domesticação

 

Não quero mais a realidade comum. Isso é o que mais cansa, pra ser bem sincera. Tenho até arrepios de pensar num futuro escrito e óbvio nas prateleiras de gente sem sal. Só de saber o que vai ser de mim, já quero ser outra coisa. Uma coisa nova e diferente, pra quebrar o que é certo.

 

Verônica Heiss

Não importa onde esteja, é seu.

 

A gente precisa trafegar no território desconhecido pra aprender que ele é tão previsível quanto o quintal de casa. A única certeza que a gente tem que ter é a de que a próxima esquina pode guardar, SIM, aquilo que a gente mais procura. E, amigos, aquilo que a gente mais procura jamais está em nosso quintal. Das duas, uma: ou está na rua, ou no quintal de outro alguém. Então a gente corre, entra sem bater, por vezes até invade propriedade alheia, na busca daquilo que a gente nem tem muita certeza do que é.

 

Lucas Silveira

Let it go, this too shall pass.

 

 Lembro daquela história zen, o rei que pediu ao monge um talismã que o protegesse de qualquer mal. O monge deu ao rei um anel, com a recomendação de abri-lo só em caso de extremo perigo. Um dia, o castelo foi cercado pelos inimigos, e o rei encurralado numa torre. Ele abriu o anel. Dentro, havia um papelzinho dobrado. Ele abriu o papelzinho e leu uma frase assim:

‘ISSO TAMBÉM PASSARÁ’

 

Caio Fernando Abreu

Titulo: OK GO!

Inventa o jeito. Inventa o gosto no novo ano.

 

“Contarás nos dedos os dias que faltam para que termine o ano, não são muitos, pensarás com alívio. Então fingirás – aplicadamente, fingirás acreditar que no próximo ano tudo será diferente, que as coisas sempre se renovam.     Já não é tempo de desesperos. Refreias quase seguro as vontades impossíveis. Depois repetes, muitas vezes, como quem masca, uma frase escrita faz algum tempo. Qualquer coisa assim: inventa o gosto insípido!”

 

Caio Fernando Abreu

Olhar assim

 

“Pediu pra parar de olhar nos olhos, como sempre faço, e você se esforçou muito pra compreender e pra estar comigo desse jeito, fingindo não estar. Não tente entender. Tem a ver com Édipo, tem um pouco de vergonha, tem a ver com seus olhos, com seu sorriso perfeito, com as linhas do seu rosto. Uma parte é medo da entrega, mas tem também uma lembrança do dia em que eu te conheci, bem antes de você me conhecer. Talvez seja a dúvida entre manter a solidão ou arriscar a vida de outra maneira. Pode ser. E pode ser que toda essa história tenha se desenvolvido nos dois segundos em que eu fechei os olhos e não precisei abrir pra saber que você estava lá.”

 

Verônica Heiss

Vulgo limite de tudo

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“Só se pode encher um vaso até a borda. Nem uma gota a mais.”

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Caio Fernando Abreu

Não há caminho. Não há saída.

 

“Você me pergunta: que que eu faço? Não faça, eu digo. Não faça nada, fazendo tudo, acordando todo dia, passando café, arrumando a cama, dando uma volta na quadra, ouvindo um som. Você tá ansioso e isso é muito pouco religioso. Pasme: acho que você é muito pouco religioso. Mesmo. Você deixou de queimar fumo e foi procurar Deus. Que é isso? Tá substituindo a maconha por Jesusinho? Vou te falar um lugar comum desprezível, agora, lá vai: você não vai encontrar caminho nenhum fora de você. E você sabe disso. O caminho é in, não off. Você não vai encontrá-lo em Deus nem na maconha, nem mudando para Nova York, nem. Vá fazer análise. Falo sério. Ou natação. Ou dança moderna. Ou macrobiótica radical. Qualquer coisa que te cuide da cabeça ou/e do corpo e, ao mesmo tempo, te distraia dessa obsessão. Até que ela se resolva, no braço ou por si mesma, não importa.

 

Caio Fernando Abreu

e aí?

 

“Já pensei, sim, se Deus pifar. E pifará, pifará porque você diz “Deus é minha última esperança“. Não há última esperança, a não ser a morte. Quem procura não acha. É preciso estar distraído e não esperando absolutamente nada. Não há nada a ser esperado. Nem desesperado. Tudo é maya (ilusão). Ou samsara (círculo vicioso).”

 

Caio Fernando Abreu

Submergir

 

“Renda-se, como eu me rendi. Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei. Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento.”

 

Clarice Lispector

Pode ser pior?

 

“E eu já não mais vivo sem essa morfina que eu batizei com teu nome, há alguns meses atrás.”

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Lucas Silveira

O que não está nos livros V

 

Cá entre nós: fui eu quem sonhou que você sonhou comigo?
Ou teria sido o contrário?
.
Sonhei que você sonhava comigo. Mais tarde, talvez eu até ficasse confuso, sem saber ao certo se fui eu mesmo quem sonhou que você sonhava comigo, ou ao contrário, foi quem sabe você quem sonhou que eu sonhava com você. Não sei o que seria mais provável. Você sabe, nessa história de sonhos — falo o óbvio —, nunca há muita lógica nem coerência. Além disso, ainda que um de nós dois ou os dois tivéssemos realmente sonhado que um sonhava com o outro, também é pouco provável que falássemos sobre isso. Ou não? Sei que o que sei é que, sem nenhuma dúvida.
.
Sonhei que você sonhava comigo. Certo? Não, talvez não esteja nada certo. Também não era isso o que eu queria ou planejava dizer.  Não tenho certeza, mas o que quero dizer, disso estou certo, começa assim: Sonhei que você sonhava comigo. Agora penso que é também provável que — se realmente fui mesmo eu a sonhar que você sonhou comigo; e não o contrário — eu não estivesse sonhando. Nada de sono, cama, olhos fechados. É possível que eu estivesse de olhos abertos no meio da rua, não na cama; durante o dia, não à noite — quando aconteceu isso que chamo de sonho. Embora saiba que — se foi dessa forma assim, digamos, consciente — então não seria correto chamá-la de sonho, essa imagem que aconteceu —, mas de imaginação ou invento até mesmo delírio, quem sabe alucinação.
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Mas não, não é isso o que quero contar, O que quero contar, sei muito bem e sem nenhuma hesitação, começa assim: Sonhei que você sonhava comigo. Parece simples, mas me deixa inquieto. Cá entre nós, é um tanto atrevido supor a mim mesmo capaz de atravessar — mentalmente, dormindo ou acordado — todo esse espaço que nos separa e, de alguma forma que não compreendo, penetrar nessa região onde acontecem os seus sonhos para criar alguma situação onde, no fundo da sua mente, eu passasse a ter alguma espécie de existência.
.
Não, não me atrevo. Então fico ainda mais confuso, porque também não sei se tudo isso não teria sido nem sonho, nem imaginação ou delírio, mas outra viagem chamada desejo. Verdade, eu queria muito. Estou piorando as coisas, preciso ser mais claro.
.
Começando de novo, quem sabe, começando agora: Sonhei que você sonhava comigo. Depois que sonhei que você sonhava comigo, continuei sonhando que você acordava desse sonho de sonhar comigo — e era um sonho bonito, aquele —, está entendendo? Você acordava, eu não. Eu continuava sonhando, mas na continuação do meu sonho você tinha deixado de sonhar comigo. Você estava acordado, tentando adequar a imagem minha do sonho que você tinha acabado de sonhar à outra ou à soma de várias outras, que não sei se posso chamar de real, porque não foram sonhadas. Mas, se foi o contrário, então era eu, e não você, quem tentava essa adequação — nessa continuação de sonho em que ou eu ou você ou nós dois sonhamos um com o outro. Nos víamos? Quase consegui, agora.
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Preciso simplificar ainda mais, para começar de novo aqui: Sonhei que você sonhava comigo. Depois, fiquei aflito. E quase certo de que isso não tinha acontecido. O que aconteceu, sim, é que foi você quem sonhou que eu sonhava com você. Mas não posso garantir nada. Sei que estou parado aqui, agora, pensando todas essas coisas. Como se estivesse — eu, não você — acordando um pouco assustado do bonito que foi ter tido aquele sonho em que você sonhava comigo. Tão breve. Mas tudo é muito longo, eu sei. Estou ficando cansativo? Cansado, também. Está bem, eu paro.
 .
Choveu demais, esfriou. Mas deve haver algum jeito exato de contar essa história que começa e não sei se termina ou continua assim: Sonhei que você sonhava comigo. Ou foi o contrário? Seja como for, pouco importa: não me desperte, por favor, não te desperto.
 
 
Caio Fernando Abreu – O Estado de S. Paulo, 09-12-1987

Eu não poderia.

 

“Nunca desista de algo que você não pode passar um dia sem pensar.”

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Unknown

Limites confusos

 

“Você diz que ama a chuva, mas você abre seu guarda-chuva quando chove. Você diz que ama o sol, mas você procura um ponto de sombra quando o sol brilha. Você diz que ama o vento, mas você fecha as janelas quando o vento sopra. É por isso que eu tenho medo. Você também diz que me ama.” 

 

William Shakespeare

Ilusão que não se desfaz

 

“Este seu olhar quando encontra o meu, fala de umas coisas que eu não posso acreditar.”

 

Tom Jobim

Depende

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Cazuza

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Vida = Pensamento

 

“Quanto mais você sabe quem você é e o que você quer, menos as coisas te preocupam na vida.”

 

Lost in Translation

I promise

 

“Amanhã sentirei saudades de você. Lembre-se que eu sempre serei verdadeiro, e enquanto eu estiver fora, escreverei para casa todo dia e mandarei todo meu amor pra você.”

 

Beatles

Um dia virá

 

“Se não for hoje, um dia será. Algumas coisas, por mais impossíveis e malucas que pareçam, a gente sabe, bem no fundo, que foram feitas pra um dia dar certo.”

 

Caio Fernando Abreu

Começa com In. Incompreensível.

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“E quem pode comigo quando eu digo tudo que sinto?”

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Caio Fernando Abreu

Entenda isso que se passa agora, amanhã ou ontem.

 

“Preciso machucar um pouco mais meu coração, doer um pouco mais meu corpo, fatigar meus olhos. Odeio amar, não é engraçado? Amanhã tento de novo. Amar só é bom se doer. Parou de chover. Hoje eu queria alguém que me dissesse que eu não precisava me preocupar. Desculpe tanta sede, tanta insatisfação. Amanhã, amanhã recomeço.”

 

Caio Fernando Abreu

Meias palavras

 

“Sim, eu sei, eu vou escrever. Eu quero te dizer uma porção de coisas, será que vai dar tempo? Escuta, está tudo definido aqui dentro, é só uma coisa, espera um pouco mais. Olha, eu ainda não disse tudo, e a culpa é única e exclusivamente sua, porque você fica sempre me interrompendo. Eu preciso de muito silêncio e de muita concentração para dizer todas as coisas que eu tinha pra te dizer, olha, antes de você ir embora eu quero te dizer quê.”

 

Caio Fernando Abreu

Vida longa

 

“Não tem jogada comigo. Não sou educada, neguinho vê na cara. Não tenho obrigação de pertencer ao grupo das mulheres e agir igualzinho a todas. Não tenho nada com Deus, nada com Cristo, nada com nada. Respeito a religião e quem acredita. Gosto das histórias, mas não tenho essa fé. Cheguei a receber formação religiosa. Sou de Minas Gerais, fui criada em Belo Horizonte. Fui batizada, crismada, fiz primeira comunhão e até os 18 anos ia à missa todo o domingo. Foi na igreja que comecei a cantar. A religiosidade acabou com a leitura da Bíblia. Comecei a achar que era muita fantasia, quando soube que tinha sido escrita em aramaico e traduzida para o latim. Para fazer a tradução o cara interpretou demais. Aprendi tudo que sei com os Beatles.”

 

Cássia Eller

Um barato

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“A lucidez ajuda, mas tem hora que é um saco.”

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Cássia Eller

Estrepitoso

 

“O Cristianismo continuará, e depois desaparecerá e encolherá. Não preciso argumentar sobre isso, estou certo, e verão que estou certo. Hoje somos mais populares do que Jesus Cristo. Não sei quem desaparecerá primeiro: o rock´n roll ou o cristianismo. Jesus era legal, mas seus discípulos eram grosseiros e ignorantes. Foram as alterações que eles fizeram que arruinaram tudo para mim.”

 

John Lennon

De onde vem a calma?

 

“- Quanto tempo demora? – perguntou ele.

 – Não sei. Um pouco. Não tem importância. Posso esperar. É que nem maçã ácida.

– Maçã ácida?

– Um dia, quando eu era bem pequenininho mesmo, trepei em uma árvore e comi uma daquelas maçãs verdes, ácidas. Minha barriga inchou e ficou dura feito um tambor. Doeu à beça. A mãe disse que, se eu tivesse esperado as maçãs amadurecerem, não teria ficado doente. Agora, quando quero alguma coisa de verdade tento lembrar do que ela disse sobre as maçãs.”

 

Khaled Hosseini – O Caçador de Pipas

É tão certo

 

“pelos caminhos que ando
um dia vai ser
só não sei quando

 

Paulo Leminski

I never felt that way

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“E quando as coisas dão errado eu apenas sorrio pra você”
.

Mixtape

Alguma coisa está errada

 

“A palavra amor anda vazia. Não tem gente dentro dela.”

 

Manoel de Barros

Deixa eu te encontrar mais uma vez pela primeira vez

 

“Por onde anda você, tão distanciada, tão silenciosa? Em que nova galáxia posso te encontrar outra vez?

 

Caio Fernando Abreu

O que não está nos livros IV

Meu amigo Cláudia

Maravilha, prodígio, espanto:
No palco e na vida, meu amigo Cláudia é bem assim:

Meu amigo Cláudia é uma das pessoas mais dignas que conheço. E aqui preciso deter-me um pouco para explicar o que significa, para mim, “digno” ou “dignidade”. Nem é tão complicado: dignidade acontece quando se é inteiro. Mas o que quer dizer ser “inteiro”? Talvez, quando se faz exatamente o que se quer fazer, do jeito que se quer fazer, da melhor maneira possível. A opinião alheia, então, torna-se detalhe desimportante. O que pode resultar – e geralmente resulta mesmo – numa enorme solidão. Dignidade é quando a solidão de ter escolhido ser, tão exatamente quanto possível, aquilo que se é dói muito menos do que ter escolhido a falsa não-solidão de ser o que não se é, apenas para não sofrer a rejeição tristíssima dos outros.

 

Bem, assim é meu amigo Cláudia. Eu não o/a conhecia pessoalmente. Ou melhor: conhecia do palco, onde Cláudia enlouquece cantando, falando e mostrando-se de uma maneira tão atrevidamente escancarada que fica linda, lindo. Só conversamos face a face, pela primeira vez, há três semanas. Parece não ter nada que ver, mas tem tudo: eu adoro Marina Lima. Há três anos, no Rio, conheci Sergio Luz, que atualmente dirige Marina. Éramos amigos de (Ah! Os bordados da vida…) Ana Cristina César, e foi através dela que cruzamos caminhos. Mas isso é outra história. Ou nem tanto. Há três semanas, Sergio me convidou para jantar com ele, Marina, Antonio Cicero e outras pessoas. Lógico que fui. E lá estava também Cláudia, no meio de uma mesa enorme. Não havia lugar para todo mundo. Sentamos numa mesa próxima. Pouco depois, Cláudia veio sentar-se conosco, porque havia um senhor na outra mesa – um senhor poderoso – que não parava de agredir Cláudia. Começamos a conversar. Acabamos no Madame Satã, onde raramente ou nunca, felizmente, existem senhores como aquele, agredindo pessoas como Cláudia. Por não existirem interferências assim no mundo particular do Satã, foi que Cláudia e eu, naquela noite, nos tornamos amigos.

 

Para aquele senhor, e para a maioria de todos os outros senhores do mundo, a presença de Cláudia deve representar a suprema transgressão, a mais perigosa das ameaças. Tanto que andam matando pessoas como Cláudia, na noite negra e luminosa de Sampa. É que meu amigo Cláudia incorporou, no cotidiano, a mais desafiadora das ambigüidades: ela (ou ele?) movimenta-se o tempo todo naquela fronteira sutilíssima entre o “macho” e a “fêmea”. Isso em uma sociedade em que principalmente o genital é que determina o papel que você vai assumir. Porque se você é homem, você tem de fazer isso e isso e isso – não aquilo. E se você é mulher, deve fazer aquilo e aquilo e aquilo – não isso.

 

Movendo-se entre isso e aquilo, meu amigo Cláudia conquista o direito interno/subjetivo de fazer isso e também aquilo. Mas perde o direito externo/objetivo de fazer nem isso nem aquilo. Tomamos vodca juntos na madrugada falando de solidão, essa grande amiga em comum de todos nós. Trocamos telefones, nos encontramos outra vez. Gosto tanto de seus olhos muito abertos, atentos a tudo, contemplando diretamente o mais de dentro de cada um.

 

Agora virei seu fã. Hoje, às 23h, Cláudia apresenta-se no Teatro do Bexiga. Se você quiser, também pode conhecer meu amigo Cláudia. A propósito, ela (ou ele – que importa, afinal, um ‘e’ ou ‘o’ ou ‘a’ no artigo ou pronome que precede o nome de uma pessoa?) autobatizou-se com o sobrenome Wonder, que em inglês quer dizer “milagre”, ou “prodígio”, ou ainda “maravilha”, “surpresa”, “espanto”. Todas essas sensações são justamente as que meu amigo Cláudia Wonder passa, no palco e na vida. E por tudo isso, me sinto muito orgulhoso de ser seu amigo.

 

Caio Fernando Abreu – Estadão

Fluescência

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Lembranças Inconscientes

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