Corpos Outros

Porque somos todos pedaços alheios.

Arquivos Mensais: novembro 2011

Até o fim. Até o fundo.

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Gaste seu amor. Usufrua-o até o fim. Enfrente os bons e os maus momentos, passe por tudo que tiver que passar, não se economize. Sinta todos os sabores que o amor tem, desde o adocicado do início até o amargo do fim, mas não saia da história na metade. Amores precisam dar a volta ao redor de si mesmo, fechando o próprio ciclo. Isso é que libera a gente para ser feliz de novo.

E não é só em Paris…

Viver é bom demais, dear Deep. E veloz, meio gincana, ás vezes. Pegue tudo a que você tem direito, e nós temos direito a absolutamente tudo de bom. Porque há sangue em Ruanda, em Sarajevo, e outra vez na Palestina, há adolescentes mendigos lindíssimos pedindo esmolas pelos metrôs de Paris e estudantes em fúria pelas ruas – por tudo que há de mau no mundo, nós merecemos o máximo do bom. Sem culpa. On y va!

Ando mais bambi do que jamais, me dou pequenos presentinhos, faço tudo o que tenho vontade: me gratifico o tempo todo. E não existe outra cidade como Paris para você gratificar-se. Há alamedas inteiras de cerejeiras floridas, você passa por baixo e entra numa espécie de túnel pink – veadíssimo, voilá, ma troppo bello! -, há vitrines indianas, japonesas, javanesas, balinesas, para você se deter e ficar olhando a prata, as esmeraldas, as sedas. Descobri uma boutique só de sedas em Saint-Germain, outro dia passei uma hora inteira metido lá dentro, só tocando e sentindo, uma espécie de tesão na ponta dos dedos. Wow!

Que frenesí dos sentidos Paris me dá, Paula Dip.

Outro dia um menino me parou na rua do Louvre e me pediu um autógrafo. Eu, a Laika: “Mas porquoi moi?” Ele tinha visto o programa de tv, comprou Dulce V., adorou. Eh bien, dei o autógrafo. Aí perguntei o nome dele. Ele respondeu “Damour”. Eu: “Pardon?” Damour, não é que o garoto me deu um cartão, é pintor – chamava-se mesmo Damour? Há sinais pelas esquinas, dou autógrafos para o Amor na rua do Louvre e se alguém vier me falar mal da vida nestes dias que correm, eu juro que lhe parto a cara…

Congresso Internacional do Medo

Provisoriamente não cantaremos o amor,
que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos.
Cantaremos o medo, que estereliza os abraços,
não cantaremos o ódio, porque este não existe,
existe apenas o medo, nosso pai e nosso companheiro.

Pé ante pé

Decidi me afastar, agora estou tentando tirar da cabeça.

Fim

Hoje é o dia em que não temos mais nada para queimar. Havia ainda algumas cartas antigas, e são elas que estão queimando agora. Estamos olhando as chamas e pensando que cada uma pode ser a última. Há bem pouco um pensamento cruzou minha mente, talvez a mente de todos: creio que quando esta última chama apagar um de nós terá de jogar-se ao fogo. Talvez eu não chore nem saia correndo. Talvez apenas afaste esses braços e pernas que enredam meus movimentos e faça o primeiro gesto em direção ao                                                                                        fogo. Daqui a pouco.

In repair

Estou em conserto
Não estou recomposto
Mas estou quase lá

Um pranto do avesso


Há uma alma em mim,

há uma calma que não condiz.

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Nada de dragões, mandalas, morangos, agostos ou chás

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Eu faço as coisas restritamente quando tenho vontade, você sabe como é. Meu agosto foi amargo e durou até outubro. Aí decidi: novembro ou nada.

Lascas


Quando eu estava no ensino médio da Escola St. Alban, fizemos um passeio cultural para observamos arte em um daqueles famosos museus de Londres. Quando passei pela estátua de mármore de uma grega… Afrodi… Afrodite, alguma coisa assim. Ela era linda, a forma feminina perfeita, traços bem definidos, maravilhosa. Fiquei extasiado por ela. Finalmente, a professora nos chamou e, ao passar por ela… notei no lado dessa deusa grega todas aquelas rachaduras, lascas e imperfeições… Isso estragou tudo para mim. Bem, é como a Nikki… uma bela escultura, DANIFICADA… de um jeito que você só percebe quando chega bem perto.

Depurar a vida

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Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.
Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se, mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.
Pouco importa venha a velhice, o que é a velhice?
Teus ombros suportam o mundo e ele não pesa mais que as mãos de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios provam apenas que a vida prossegue e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.

Na cinza das horas

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Ainda tem o seu perfume pela casa.
Ainda tem você na sala.

Porque meu coração dispara quando tem o seu cheiro?

De maneira insensata e ilusória

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Como doem as perdas para sempre perdidas, e portanto irremediáveis, transformadas em memórias, iguais pequenos paraísos-perdidos. Que talvez, pensava agora, nem tivessem sido tão paradisíacos assim.

Agora mesmo

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Ei, me conta o que te faz bem, que te trago duas caixas cheias disso aí.

Eu sabia

Meu analista me avisou. Mas você era linda, e eu troquei de analista.

Tomara

Tomara que a gente não desista de ser quem é por nada nem ninguém deste mundo. Que a gente reconheça o poder do outro sem esquecer do nosso. Que as mentiras alheias não confundam as nossas verdades, mesmo que as mentiras e as verdades sejam impermanentes. Que friagem nenhuma seja capaz de encabular o nosso calor mais bonito. Que, mesmo quando estivermos doendo, não percamos de vista nem de sonho a ideia da alegria. Tomara que apesar dos ‘apesares’ todos, a gente continue tendo valentia                                                                                   suficiente para não abrir mão de se sentir feliz.

Uns pedaços. Uns dias.

Mas de qualquer forma não conseguia definir o que se fez quando comecei a perceber as lembranças espatifadas pelo quarto. Não que houvesse fotografias ou qualquer coisa de muito concreto — certamente havia o concreto em algumas roupas, uma escova de dentes, alguns discos, um livro: as miudezas se amontoavam pelos cantos. Mas o que marcava e pesava mais era o intangível.

Frente e verso

A viagem não acaba nunca. Só os viajantes acabam. E mesmo estes podem prolongar-se em memória, em lembrança, em narrativa. Quando o visitante sentou na areia da praia e disse: “Não há mais o que ver”, saiba que não era assim. O fim de uma viagem é apenas o começo de outra. É preciso ver o que não foi visto, ver outra vez o que se viu já, ver na primavera o que se vira no verão, ver de dia o que se viu de noite, com o sol onde primeiramente a chuva caia, ver a seara verde, o fruto maduro, a pedra que mudou de lugar, a sombra que aqui não estava. É preciso voltar aos passos que foram dados, para repetir e para traçar caminhos novos ao lado deles. É preciso recomeçar a viagem. Sempre.

Segunda-feira

Tomo um café, acendo um cigarro. Durante um minuto, fico pensando em parar. Parar como param os monges budistas. Parar e olhar. Só um minuto. Pronto: agora tenho que sair correndo outra vez para ganhar a vida. Ganhar ou perder? Eu sei a resposta. Mas posso cantar baixinho um velho Roberto Carlos, aquele assim: “Querem acabar comigo/ isso eu não vou deixar”.          Juro que não.

Somos inexistentes

Não acredito em quase nada que me diz. Gosto das suas histórias, do seu sorriso e do seu cheiro no canto da nuca, quase na curva do ombro, gosto mesmo. Mas não acredito nesse amor. Acho impossível você ter me amado assim, acho difícil eu te amar a qualquer momento… Repudio mentiras e por achar que mente, acabo repudiando você. Não que eu não goste de você, você sabe que não é isso, gosto de você. Minha armadura pra esse tipo de coisa já é forte demais, não me abalo, não cantarolo por sua causa quando acordo e nem choro por causa disso, eu só te observo quieta e penso que somos impossíveis.

Palavras pequenas

 

 

 

 

 

 

– Só sei que nós nos amamos muito…
– Porque você está usando o verbo no presente? Você ainda me ama?
– Não, eu falei no passado!
– Curioso né? É a mesma conjugação.
– Que língua doida! Quer dizer que NÓS estamos condenados a amar para sempre?
– E não é o que acontece? Digo, nosso amor nunca acaba, o que acaba são as relações…
– Pensar assim me assusta.
– Por que? Você acha isso ruim?
– É que nessas coisas de amor eu sempre dôo demais…
– Você usou o verbo ‘doer’ ou ‘doar’?
– [Pausa] Pois é, também dá no mesmo…

Duo

O coração de um homem tem duas formas de encarar a vida. A forma da natureza e a forma da graça. Você deve escolher qual das duas seguir. A graça não tenta agradar a si mesma. Ela aceita ser desprezada, esquecida, rejeitada. Ela aceita insultos e machucados. A natureza apenas tenta agradar a si própria. Mas há outros para agradar também… para amar e respeitar… Ela gosta do poder, de ter suas próprias escolhas. Ela encontra motivos pra ser infeliz enquanto todo o mundo brilha a seu redor e o amor sorri para todas as coisas. Nos ensinaram que quem ama o caminho da graça nunca tem um final infeliz. Eu serei fiel a você, não importa o que acontecer.

Um dia a mais

Enquanto você não chega, vou pingar um ponto final, fechar o caderno, a porta do quarto, chamar o elevador, descer e ficar caminhando horas pelas ruas, ou então me enfiar dentro de um cinema, sem sequer olhar os cartazes ou o nome do filme. Quero ver outras pessoas, outros corpos, outras caras, mesmo que sejam inexpressivos, desconhecidos. Eu também serei inexpressivo e desconhecido para elas, e nesse desconhecimento e nessa inexpressividade mergulharemos todos juntos num filme qualquer, de mãos dadas no escuro, como um bando de meninos dançando a cirandinha.

Pelo bem que fez(az)

Minha vontade agora é sumir. Chamar você. Me esconder. Ir até a sua casa e te beijar e dizer que te amo e que você é importante demais na minha vida para eu te abandonar. Sacudir você e dizer que você é um otário porque está me perdendo dessa maneira. Minha vontade é esquecer você. Apagar você da minha vida. Lembrar de você a cada manhã. Pensar em você para dormir melhor. Então eu percebo: IT’S ME, e minhas vontades são bipolares demais. Só o que não é bipolar demais é a minha ganancia por te ter. Sim, eu escolheria você. Se me dessem um último pedido, eu escolheria você. Se a vida acabasse hoje ou daqui mil anos, eu escolheria você.

e seremos nós outra vez

Um dia, quando a chuva secar na memória, quando o inverno for tão distante, quando o frio responder devagar com a voz arrastada de um velho, estarei contigo e cantarão pássaros no parapeito da nossa janela, sim, cantarão pássaros, haverá flores, mas nada disso será culpa minha, porque eu acordarei nos teus braços e não direi nem uma palavra, nem o princípio de uma palavra, para não estragar a perfeição da felicidade.

Fluescência

Porque somos todos pedaços alheios.

Fierce People

Porque somos todos pedaços alheios.

Pensar Longe

Porque somos todos pedaços alheios.

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Porque somos todos pedaços alheios.

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Porque somos todos pedaços alheios.