Corpos Outros

Porque somos todos pedaços alheios.

Arquivos da Categoria: Lucas Silveira

Depois que a porta fecha

large (13)

Quando, com um passo, você fica dois passos mais distante, é porque ela também está indo embora. É aí que você começa a pensar nestes laços invisíveis que nos amarram uns aos outros. Que tamanho eles podem ter? Podem continuar apertados mesmo quando suas pontas já não mais ocupam o mesmo lugar? Sente um fisgão nos pulsos quando abraça outro alguém? Livra-te dos laços. Não falo de cortar. Pode desamarrá-los com o mesmo carinho que tiveste quando os tornaste apertados como braçadeiras. Lembra-te de que laços não são algemas. Agora divida essa corda e presenteia quem você quiser com estes pedaços. Eles são pequenos o suficiente para não virarem nós? Perfeito.

Medieval

amor

.

Eu vim de um lugar onde os amantes permanecem amantes, e eles se amam até o fim, eles amam, e amam uns aos outros. Eles não seguem nenhuma tendência, eles apenas não querem, eles apenas não se importam com isso.

A espera

Ela existe, é longa e sempre me foge seu fim quando vejo que estou chegando perto. O território é perigoso e caminha-se em solo feito de olhos invejosos, desviando-se de mãos e braços sedentos por um empurrão que vai te fazer cair. É longe o lugar que quero chegar, e nem só de quilômetros, metros e centímetros é feito esse caminho. Complicado mesmo é suplantar esses muros sem ferir minhas pernas nessas pontas-de-lança. Mas é de cima desses muros que te vejo. E, confesso tua contentação com teu atual estado de cárcere não condiz com a tua vontade de mudar que me é relatada toda vez que te vejo. É tua incoerência que me faz esperar. Essa espera por um lapso de mudança ou qualquer outra manifestação que me faça crer que minhas e tuas casas serão, um dia, a mesma.

Depois do fim

Enquanto você não está, o vento segue uivando, as árvores continuam a balançar e ela pode até vir a conhecer alguém que, em princípio, é bem mais interessante que você e isso vai certamente te entristecer um bocado. Por isso é que eu digo que às vezes é bom você relaxar a soltar esse guidão que te prende a um ridículo cavalo de fibra de carbono. Deixe a força centrífuga agir sobre você, lhe alçando em vôo desordenado pra fora dessa roda. Na maioria dos casos, há um lado positivo em se ver esborrachado no chão, colhendo dentes que caíram da sua boca. É positivo porque somente assim você vai ser parte daquilo que sempre via como um enorme borrão e entortava o pescoço pra entender o que era: o mundo. E você vai ser parte desse mundo, não mais mero espectador de câmeras de vigilância. Você vai, inclusive, ver que ela continua presa ao carrossel e que o cara que ela conheceu lá é, de fato, um tremendo boçal, segurando-se todo medroso naquele cavalo. Ela acha que tem as rédeas da própria vida sem perceber que está encilhada desde que nasceu, e apanhando, de relho. E você, sujo e sem dentes, vai rir muito disso tudo daqui a pouco, pode acreditar.

Quatro

E eu já não mais vivo sem essa morfina que eu batizei com o teu nome, há alguns meses atrás.

Melhor mesmo é não saber o fim

Se a gente já soubesse como vai ser a viagem
antes mesmo de comprar nossa passagem
a gente já virava pro outro lado e dormia, tão só.

Se a gente entendesse que há um ciclo no amor
começa pela cura, mas termina com a dor
a nossa cama pra sempre estaria vazia.

Presente

 

Lembro de jogar pedras naquela janela para, quem sabe, enxergar através das brechas algo que me mostre que eu não sou o único perdendo a razão aqui, nesse sofá. Sinto que somos como dois carrosséis que giram em sentidos opostos. Eu não quero saber o que acontece quando estamos de costas um para o outro.

.

Subentendidos

 

Ela não quer saber de uma porção de coisas. Talvez saiba demais. Talvez eu a tenha deixado saber demais. De boca fechada, meus olhos gritam mais alto que o barulho da tevê que ilumina o quarto.

.

Até o fundo

 

E que o amor arrebate. E que seja forte, contagioso e incurável.

 

Lucas Silveira

O ponto está além de se acostumar

 

Eu, como todo bom romântico, estou sempre perdendo amores. Não importa tudo o que foi aprendido em experiências passadas. É que eu realmente não consigo me contentar com aquele pensamento de que ‘o amor é assim mesmo, vem com o tempo e a gente se acostuma’.

 

Lucas Silveira

Uma guerra que não é a da tevê.

 

Eu quero mesmo é que tudo exploda. E que seja luminosa, a explosão, que ecoe pelos quarteirões e faça tremer teus vidros, quebrar tuas janelas. Que perturbe teu sono e te faça ir pra rua pra ver o que aconteceu. Você não vai me encontrar lá. Eu não sou o piloto. Não sou o passageiro. Não sou o pedestre. Eu sou o acidente, e eu sou grave.

 

Lucas Silveira

Não importa onde esteja, é seu.

 

A gente precisa trafegar no território desconhecido pra aprender que ele é tão previsível quanto o quintal de casa. A única certeza que a gente tem que ter é a de que a próxima esquina pode guardar, SIM, aquilo que a gente mais procura. E, amigos, aquilo que a gente mais procura jamais está em nosso quintal. Das duas, uma: ou está na rua, ou no quintal de outro alguém. Então a gente corre, entra sem bater, por vezes até invade propriedade alheia, na busca daquilo que a gente nem tem muita certeza do que é.

 

Lucas Silveira

Pode ser pior?

 

“E eu já não mais vivo sem essa morfina que eu batizei com teu nome, há alguns meses atrás.”

.

Lucas Silveira

Chega logo. E me acorda.

 

“O que você vai ser quando crescer?

O que a gente vai fazer quando se ver de novo?

O que será que acontece pra gente um dia não se querer mais?

O que a gente vai pensar quando a luz se apagar?

O que o mundo vai dizer quando o amor vencer?

.

.

Lucas Silveira

Fluescência

Porque somos todos pedaços alheios.

Fierce People

Porque somos todos pedaços alheios.

Pensar Longe

Porque somos todos pedaços alheios.

palavrasespalhadas

Just another WordPress.com site

Aqui dentro de mim

Porque somos todos pedaços alheios.

Lembranças Inconscientes

Porque somos todos pedaços alheios.