Corpos Outros

Porque somos todos pedaços alheios.

Arquivos da Categoria: Lygia Fagundes Telles

Coragem de amar e desamar, coragem de morrer e desmorrer, coragem da cólera, da tristeza.

 

Já dizia há certo tempo Caio-querido-caio, não é moderno ter emoções. A idéia ainda vale, não é moderno, não é correto, não é educado, nem mesmo higiênico. Para ser respeitável, bom mesmo é ser comedido, rir moderadamente diante de coisas mais ou menos agradáveis, contrair levemente a face quando algo um tanto ruim acontece, nada além disso. Evite os grandes sentimentos, moderação é a palavra de ordem. Ah, que tédio. Pois então está fora de moda sentir e chorar, transpirar, descabelar ouvindo música-fossa no último volume, rir de doer a barriga vendo bobagens estúpidas na televisão ou dizendo coisas sem qualquer sentido só porque tem gosto bom, está fora de moda a gente viver a vida do jeito que ela foi feita pra se viver, saboreando, sentindo, mergulhando, assim de verdade? Está fora de moda ser gente, é isso. Querem mesmo é transformar-nos a todos em máquinas produtivas, pensantes apenas até um limite aceitável, querem a vida feito linha de produção, tudo funcionando adequadamente, eficientemente, desassociadamente. E gente, cadê? Ainda restam uns por aí, uns resistentes, teimosos talvez. Uns e outros que se acotovelam pelos becos escuros para soluçar de tristezas e rodopiar de alegria. Em voz baixa, em transgressão, recitam poesias que dizem das belezas inteiras e doloridas do mundo, saúdam a vida, aquela feita de sentimento e mergulho. E em celebração, tocam-se, experimentam-se, dividem uns com os outros a alegria de revirar-se e não se negar à vida. Essa gente já não cabe no mundo. Ou é o mundo que já não cabe na gente.

 

Lygia Fagundes Telles

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Vida(?) fácil(!)

 

Deve ser boa a vida de peixe de aquário, murmurei.

– Deve ser fácil. Aí ficam eles dia e noite, sem se preocupar com nada, há sempre alguém para lhes dar de comer, trocar a água…

– Uma vida fácil, sem dúvida. Mas não boa. Não se esqueça de que eles vivem dentro de um palmo de água quando há um mar lá adiante.

– No mar seriam devorados por um peixe maior.

– Mas pelo menos lutariam. E nesse aquário não há luta. Nesse aquário não há vida.

 

 

Lygia Fagundes Telles

Mesmo sem porquê

 

Criar pombos sem pensar em comê-los, plantar roseiras sem pensar em colher rosas, escrever sem pensar em publicar, fazer coisas assim, sem esperar nada em troca. Pois é preciso amar o inútil porque no inútil está a beleza.”

 

 

Lygia Fagundes Telles

Fluescência

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Fierce People

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Pensar Longe

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Lembranças Inconscientes

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