Corpos Outros

Porque somos todos pedaços alheios.

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Nem por ninguém

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Verônica Heiss – também conhecida como Verônica H. – é um personagem ficcional (heterônimo) que surgiu em meados de 2005. Sua autora, de identidade desconhecida, nunca revelou muito sobre si. (…) Verônica surgiu como um escape, uma máscara. Foi a maneira que a autora encontrou de expor sentimentos sem expor sua identidade ou até mesmo de falar sobre sentimentos que não eram seus. “Eu escrevia algumas coisas e me perguntavam se eu estava mesmo triste ou apaixonada e por quem. Não, eu não estava. Não eram meus sentimentos. Mas de quem eram, então? Eu precisei nomear alguém para tomar as dores do que não me doía.” (…)”Não vejo motivo no momento para isso acontecer. Tem coisas que eu digo que só a dúvida torna universal. É justamente o fato da Verônica não ter uma idade, um local onde vive ou uma opinião absoluta que a torna um pouco de todos nós. Porque na verdade todos nós somos obrigados a negar as várias idades que temos: ora somos novos e imaturos, ora somos velhos e sábios, pertencemos a vários lugares e somos essa incrível contradição. Verônica veste contradição e sai na rua, é fácil se identificar ou se inspirar nisso.

Um dia em branco

Aí você lembra que ao chegar em casa, ninguém vai estar esperando ansioso. É só você, o controle remoto e a lasanha semi-pronta. Mais um dia que poderia muito bem ser apagado. Gritaria no trânsito, um almoço sem gosto, a correria de sempre. Desperdício de vida.  Onde está o sorriso que a propaganda de margarina prometeu vir incluso na compra? Quando foi a última vez que eu realmente me diverti, dancei até cair, esqueci meus problemas, faltei numa reunião por acordar atrasado? Ainda dá tempo de fazer alguém feliz, saltar de pára-quedas, escrever um livro?

Busca

Eu sei que as pessoas são todas esburacadas, mas o que move o mundo é a busca pelo revertério. Elas vão se preenchendo de música, de festa, de comida, de academia, de gente, porque têm fé no que chamam de amor. Nem que seja o amor próprio. Algo que faça brilhar os olhos, que esconda a realidade fria por alguns segundos ou mais. E o que atrai os outros, inconscientemente, é exatamente isso: essas pessoas parecem tão repletas que despertam fascinação e vontade de estar perto. Mesmo que não sejam repletas de verdade, mesmo que também procurem isso no mundo.

Você anda acertando mais do que a hora certa de chegar

Se você tivesse chegado antes, eu não teria notado. Se demorasse um pouco mais, eu não teria esperado. Você anda acertando muita coisa, mesmo sem perceber. Você tem me ganhado nos detalhes e aposto que nem desconfia. Mas já que você chegou no momento certo, vou te pedir que fique. Mesmo que o futuro seja de incertezas, mesmo que não haja nada duradouro prescrito pra gente. Esse é um pedido egoísta, porque na verdade eu sei que se nada der realmente certo, vou ficar sem chão. Mas por outro lado, posso te fazer feliz também. É um risco. Eu pulo, se você me der a mão..

Todos os dias

Quando foi a última vez que você tomou banho de chuva sem se preocupar com o celular no bolso, os cartões do banco, a chapinha, o sapato que não pode molhar? As pessoas têm que se permitir. Aprender o atraso, o olhar em volta. Mudar o caminho de todos os dias e se perder no seu próprio bairro. É o que tenho feito, me perder. E devo dizer que estou muito feliz por não encontrar o caminho de volta..

Diferent way

 

Ei, não tenta entender as voltas que eu dou sozinha. Deixa só um mistério estranho de filme trash. Passo horas falando pra ficar muda de repente, passo toda a segurança do mundo pra me derrubar em medos bobos. É que tudo fica mais legal em constante mudança. E eu nem sei mais ser a mesma sempre.

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E o que espera ninguém sabe

 

Quem olha de longe não percebe e quem não se aproximar nunca vai saber: a Menina gosta livros e Jazz, queria saber dançar, troca uma balada pra assitir a Orquestra, gosta de andar até as pernas reclamarem, tem preguiça de filme cult e vê pequenos detalhes onde os outros enxergam cotidiano. E, acima de tudo, está cansada de tanto assustar e afastar as pessoas, cansada de esperar vidas se resolverem por uma promessa de futuro e ficar pra trás mais uma vez.

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Sem talento pra domesticação

 

Não quero mais a realidade comum. Isso é o que mais cansa, pra ser bem sincera. Tenho até arrepios de pensar num futuro escrito e óbvio nas prateleiras de gente sem sal. Só de saber o que vai ser de mim, já quero ser outra coisa. Uma coisa nova e diferente, pra quebrar o que é certo.

 

Verônica Heiss

Olhar assim

 

“Pediu pra parar de olhar nos olhos, como sempre faço, e você se esforçou muito pra compreender e pra estar comigo desse jeito, fingindo não estar. Não tente entender. Tem a ver com Édipo, tem um pouco de vergonha, tem a ver com seus olhos, com seu sorriso perfeito, com as linhas do seu rosto. Uma parte é medo da entrega, mas tem também uma lembrança do dia em que eu te conheci, bem antes de você me conhecer. Talvez seja a dúvida entre manter a solidão ou arriscar a vida de outra maneira. Pode ser. E pode ser que toda essa história tenha se desenvolvido nos dois segundos em que eu fechei os olhos e não precisei abrir pra saber que você estava lá.”

 

Verônica Heiss

Enxergar sem culpa

 

A gente vai aprendendo a viver assim, na marra, no grito, no sufoco, no impulso. Eu quis mudar o mundo, quis ser brilhante, quis ser reconhecida. Hoje eu quero bem pouco e prefiro me concentrar no agora do que planejar um futuro incerto. Eu me libertei da culpa e dei de cara com algo novo: não me encaixo, e aceito. Não é justo perder as asas no momento em que se descobre tê-las. É preciso poder voar, é preciso ter uma visão estratégica das janelas. Ver o sol e não poder tê-lo é absurdo.”

 

Verônica Heiss

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